No meio do silêncio e da solidão entre grilos, um rosto.
Um rosto decalcado por anjos em porcelana ou marfim e coberto de uma seda escura que se derrama ombros à baixo com a leveza de cachos cuidadosamente improvisados. Olhos, sombreados de multicores, acentuam os mistérios e segredos cada segundo menos ocultos porque os lábios antes denunciam os desejos já desenterrados das covas de um sorriso.
Mas é apenas uma lembrança, uma vaga lembrança de um brinquedo de pano que com um sopro virou gente e hoje rouba meu sono, mas me devolve a vida, me devolve o sonho.
E eu, por acaso sonhando de olhos bem abertos no meio de uma noite que a pouco vira dia, despejo os gritos loucos no silêncio de folha sem pauta e no desespero quase frio de uma falta venho declarar paixão.
Que eu não adormeça se não for sonhar, é assim que revejo, é assim que possuo, é no sonho que as mais ensandecidas loucuras são reais e que o pano é pele e que a pele é quente e queima e arde e volta a explodir em cosmo.
Com a quietude paciente de um bronzear à luz de estrelas, vejo o céu mudar de cor. Ainda a seda escura desliza no meu peito como parte de um sonho bom. E lá vem o sol, o raiar do dia, o balé das nuvens, a música das folhas, os versos das flores e um passarinho.
Um rosto decalcado por anjos em porcelana ou marfim e coberto de uma seda escura que se derrama ombros à baixo com a leveza de cachos cuidadosamente improvisados. Olhos, sombreados de multicores, acentuam os mistérios e segredos cada segundo menos ocultos porque os lábios antes denunciam os desejos já desenterrados das covas de um sorriso.
Mas é apenas uma lembrança, uma vaga lembrança de um brinquedo de pano que com um sopro virou gente e hoje rouba meu sono, mas me devolve a vida, me devolve o sonho.
E eu, por acaso sonhando de olhos bem abertos no meio de uma noite que a pouco vira dia, despejo os gritos loucos no silêncio de folha sem pauta e no desespero quase frio de uma falta venho declarar paixão.
Que eu não adormeça se não for sonhar, é assim que revejo, é assim que possuo, é no sonho que as mais ensandecidas loucuras são reais e que o pano é pele e que a pele é quente e queima e arde e volta a explodir em cosmo.
Com a quietude paciente de um bronzear à luz de estrelas, vejo o céu mudar de cor. Ainda a seda escura desliza no meu peito como parte de um sonho bom. E lá vem o sol, o raiar do dia, o balé das nuvens, a música das folhas, os versos das flores e um passarinho.
15 de dezembro de 2009.


