Dentro de mim, uma voz não cala:
Chama por lembranças, clama por presenças, fala de saudades, grita de dor...
E quando essa voz me enlouquece, escrevo.



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Brinquedo de Pano

No meio do silêncio e da solidão entre grilos, um rosto.
Um rosto decalcado por anjos em porcelana ou marfim e coberto de uma seda escura que se derrama ombros à baixo com a leveza de cachos cuidadosamente improvisados. Olhos, sombreados de multicores, acentuam os mistérios e segredos cada segundo menos ocultos porque os lábios antes denunciam os desejos já desenterrados das covas de um sorriso.
Mas é apenas uma lembrança, uma vaga lembrança de um brinquedo de pano que com um sopro virou gente e hoje rouba meu sono, mas me devolve a vida, me devolve o sonho.
E eu, por acaso sonhando de olhos bem abertos no meio de uma noite que a pouco vira dia, despejo os gritos loucos no silêncio de folha sem pauta e no desespero quase frio de uma falta venho declarar paixão.
Que eu não adormeça se não for sonhar, é assim que revejo, é assim que possuo, é no sonho que as mais ensandecidas loucuras são reais e que o pano é pele e que a pele é quente e queima e arde e volta a explodir em cosmo.
Com a quietude paciente de um bronzear à luz de estrelas, vejo o céu mudar de cor. Ainda a seda escura desliza no meu peito como parte de um sonho bom. E lá vem o sol, o raiar do dia, o balé das nuvens, a música das folhas, os versos das flores e um passarinho.
15 de dezembro de 2009.

Sepulcro de Vidro

Teu corpo parado, frio, calado era o retrato perfeito do imperfeito que chegava e bradava. Eu fingia não ver, não ouvir, mas sentava e esperava chorando a exatidão de te ver partir.
Meus versos permaneciam mudos, não havia brilho, não havia cor, não fazia nenhum sentido falar de amor sob folhas tão secas e céu tão cinza. E aquela garoa fina... ela me vinha com sabor de lágrima.
Eu havia me despedido de seu rosto paralisado em vidro que não me sorria e isso parece ter sido tudo o que sobrou das nossas estações de flores e frescores. Agora, nos galhos secos, nenhum pássaro de cor alguma me vem visitar nem assobiar declarações apaixonadas para se espalhar no vento.
Lentamente caminho sobre estalos de coisas mortas espalhadas pelo chão, num ímpeto de falta ou de culpa olho para trás, morro aqui e este é o lamento da minha estátua de sal paralisada numa estrutura perfeitamente traduzida em dor, em pavor.
Daqui do alto dessa escultura salgada e quente tenho a minha fração de eternidade dos teus olhos tristes no meu olhar quase carente, da minha face pálida na tua cova rasa que já não me mostra nada, da minha boca entreaberta ensaiando uma súplica ao teu ouvido surdo ou perdido em outra canção e a minha mão estendida para um último adeus ou um pedido de perdão.
21 de dezembro de 2009.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Dentro do turbilhão - Parte VII

Um início, precipício...
Meu vicio agora é o contar nos dedos.
Meu medo agora é o passar do tempo.
Precipício...
O início do meu vício.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Por trás das línguas



Bruna diz:
*eu acho q to precisando de terapia

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*hauheuahuhehu
*pq?


Bruna diz:
*p cuidar dessa minha imaginação

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*oxe ver/span>
Bruna diz:
*serio

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*vc escreve, vc já tem a terapia perfeita
*hj eu fui trabalhar zunindo de raiva
*comecei a escrever, passou xD


Bruna diz:
*mas o lado pervertido so usei numa receita de feijão

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*uai, utilize-o mais xD

Bruna diz:
*isso me assusta ainda mais

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*pq?
*se faz parte de vc, vc tem q se sentir confortável com isso oras
*n é vergonha nenhuma, eu acho


Bruna diz:
*tenho ate medo de imaginar o q eu poderia escrever
*pior ainda e pensar no q as pessoas pensariam ao ler


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*eu sou provavelmente a pessoa mais depravada q eu conheço
*tá, uma das
*mas sou feliz assim ^^


Bruna diz:
*vc???
*depravada????
*nuncaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*quem vc acha q lembrou que "sorvete se chupa, né..." na história do sorvete de 2 bolas de Vanny?

Bruna diz:
*rs

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*=P

Bruna diz:
*sorvete n se chupa

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*depende

Bruna diz:
*eu n chupo

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*bom...
*deixa quieto auehuahuehuhae


Bruna diz:
*rs

*melhor
*alias
*n
*prossiga
*rsrsrs


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*tem gente que chupa sorvete
*tem gente que prefere chupar outras coisas

Bruna diz:
*ah sim

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*tipo... bala!
*=p


Bruna diz:
*tipo...pirulito
*mas o caso era o sorvete de Vany

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*bom, se o sorvete era de Vanny, ela chupa se ela quiser

Bruna diz:
*ou picole?

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*se preferir lamber o problema é dela tb

Bruna diz:
*eu tenho serio problema em manter essas coisas duras na boca
*n suporto


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*pq? derrete?

Bruna diz:
*se eu quiser mesmo
*eu mordo


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*ui

Bruna diz:
*não
*calma
*to falando do pirulito, da bala e do...
*picole
*sorvete eu prefiro lamber...
*n é tão duro


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*n machuca não?
*o dente, I mean


Bruna diz:
*as vzs
*da choque
*ficam sensiveis
*vulneraveis


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*por isso que eu prefiro ir com calma
*e preservar meus pobres dentes


Bruna diz:
*so penso nisso depois
*ta vendo q preciso de terapia?


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*hahahaha

Bruna diz:
*preciso aprender a controlar meus impulsos

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*ah, há momentos e momentos de se controlar impulsos

Bruna diz:
*tipo... morder.... lamber... ou chupar...
*um bom momento p se controlar impulsos


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*não acho o.o

Bruna diz:
*não?

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*depende da dor que a mordida vai te causar
*=p


Bruna diz:
*é NE?
*ja q picole n sente


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*né?

Bruna diz:
*mas a dor é p conta da temperatura n da mordida

Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*é só chupar um pouco antes que alivia, oras

Bruna diz:
*ai ele derrete e eu vou estar lambendo, n mordendo
*obvio


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*é só saber quando parar de chupar pra poder morder confortavelmente
*eu tô me segurando aqui pra não ter crises de riso

Bruna diz:
*impossivel n ter
*muita besteira


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*isso tá parecendo até os posts do alice in lesboland, pqp

Bruna diz:
*rsrsrs
*verdade
*bom...
*deixa assim


Dee - Na pegada das férias matutinas. diz:
*?

Bruna diz:
*qnd der vontade eu mordo e pronto!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Volta Passarinho!

Ei passarinho,
Volta aqui!
Esqueceu do teu ninho,
Teu jeito de querer?
Esqueceu o caminho
E o jeitinho nosso de viver?
Ei passarinho,
Perdeste algumas penas?
O que ouve com vôo tão leve
E batidas de asas tão plenas?
Ferido passarinho?
Volta!
Traz tuas dores para o meu colo
E me deixa cuidar do teu sossego,
Sou eu agora que imploro.
Sou eu que peço para que voes,
Que voltes.
Que me traga de novo teus olhos acostumados,
Teus cantos ensaiados,
Teus rasantes apaixonados.
Te dou meus versos elaborados.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um certo 7 de dezembro

O amargo das lágrimas que não conseguiam mais sair, o peito cansado de respirar tão pesado e o peso de carregar no presente as loucuras sóbrias do passado arrancaram de ti as forças, a vontade de continuar. Gritar não mais conseguia, argumento também não existia, era apenas tu na fragilidade humana do erro e no apresso covarde dos que te julgavam torta.
Devia ter posto tuas roupas numa sacolinha de supermercado e voado pra ver tua amiga. Ela te daria colo, ouviria teu choro, tomariam um porre e tudo ficaria bem, depois de um mês talvez. Mas ela não pegou o telefone, não te ligou e não pegou correndo o primeiro vôo quando você chamou. Já faz um ano que o teu apelo calou.
Tuas ultimas horas, teu sono entrecortado de um desespero fácil por pensar no teu filho chamando o teu nome, por pensar na tua mãe exaltando o teu homem e a tua garganta já sem voz gritando “pára”.
Suas pernas bambas te levando ao banheiro, tuas olheiras encarando teu rosto molhado no espelho. Qual terá sido a ultima vez que você se viu? E tua amiga não te viu nem antes nem depois, só numa foto antiga que guardou numa caixa velha.
Na cozinha, com a porta da geladeira aberta, decidindo entre um copo com leite ou um gole d’água, olhava o relógio na parede e despedaçava seu caminho nos segundos lentos dos ponteiros pretos que anunciavam a madrugada. Seria a hora? Não, não devia ter sido a hora. Mas você decidiu.
Deve ter pensado muitas vezes em não ir, em buscar outro lugar, talvez fugir, mas onde estava tua amiga que não te deu a mão? Certamente ocupada com suas perdas próximas não sabia que também te perderia num deslize besta de ocasião. E se ela tivesse te ligado? Se tivesse ido ao teu encontro? Se tivesse usado a palavra certa? Se tivesse ao menos te prometido um abraço? Mas você estava ali sozinha tentando engolir todos os pontos reticentes. Queria apenas um final.
Sabia do não cumprimento dos seus deveres, mas não suportou o peso dos seus prazeres. Deve ter feito uma prece para diminuir em si a culpa por desistir. Num ultimo passeio pela casa adormecida e especialmente mórbida na ocasião, olhou as fotos na estante, hesitou um instante e despediu-se pedindo perdão.

Coletando delírios

E agora você resolve coletar delírios,
Os perdidos, esquecidos,
Que sumiram, escapuliram.
Será mesmo uma forma diferente,
Será distante.
Outro céu,
Outro teto de estrelas,
Outro luar ensolarado.
Outro canto do mundo sem mim,
Vazio de delírios solitários
E abraços com cheiro de casa,
Com cheiro de mãe, de irmã, de amiga.
Outro canto vazio da ausência
Dos delírios que não deixei escapulir.