terça-feira, 26 de abril de 2011

Breve loucura

Outra mão deslizou por uma mecha de cabelo e acariciou o queixo.
Os lábios ansiosos teimavam em permanecer secos em volta da língua de quem nem conseguia falar, os olhos tentavam não se encontrar na ínfima distancia que os separavam. E eles fingiam, fugiam para um talvez mais seguro.
Os gestos todos atrapalhados, os modos atropelados, as frases ensaiadas não ditas. Tudo coube naquele instante.
O silencio gritava socorro em cada intervalo das tolices impensadas que lutavam para rasgar tanto pudor.
E no fim de uma fração de segundo que não volta, apenas o suor da palma sentido numa das faces, um adeus sem promessas e um beijo que poderia ter escorrido delicadamente a boca, mas permaneceu lá.

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