segunda-feira, 18 de julho de 2011

Conto do canto da despedida

O All Star quadriculado, quase encardido nos meus pés, fazia do chão o horizonte mais próximo, mas aquelas mãos insistiam em deslizar calmamente sobre minhas pernas.

Silêncio.

Na nuca, senti a carícia que dizia adeus, enquanto meus passos angustiados queriam continuar presos ali. Percebi facilmente que, dos olhos vermelhos, brotavam lágrimas que me pediam pra ir e quase até imploravam em vão.

Foi inevitável o abraço que nos prendeu na eternidade do instante seguinte. Dava para ouvir o coração, dava vontade de secar as lágrimas no beijo que não aconteceria, dava medo, dava saudade, doía e quase não dava pra respirar.

Os corpos, enfim, se afastaram e quase como sussurro embriagado em dor e lágrima ecoou um “se cuida” sem olhos, sem bocas e já quase sem mãos que se desgrudavam em câmera lenta.

Por sobre os ombros, eu quis ver a mochila cair e quis também seu desespero vindo ao meu encontro, mas era mesmo a hora. Os primeiros passos na direção oposta foram meio tontos e o cheiro do mar se misturava ao da falta que eu já sentia, enquanto ia procurando firmar meu prumo na cidade vazia.

0 comentários: